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Financiamento da folha de pagamento pode beneficiar até 110 mil pequenas e médias empresas do RS

Financiamento da folha de pagamento pode beneficiar até 110 mil pequenas e médias empresas do RS

Financiamento de salários durante crise econômica decorrente da pandemia de Covid-19 pode ajudar empregadores e funcionários gaúchos, que já sofrem os efeitos da baixa no movimento. Economistas avaliam medidas e futuros cenários.

A linha de crédito emergencial anunciada nesta sexta-feira (27) pelo governo federal pode beneficiar 110 mil pequenas e médias empresas no Rio Grande do Sul.
No total, R$ 40 bilhões estarão disponíveis, para o pagamento de salários de funcionários, por dois meses, como medida de enfrentamento das dificuldades econômicas decorrentes da pandemia do coronavírus. O estado já tem 197 casos confirmados de Covid-19.
Trabalhadores e empresários estão preocupados com o enfraquecimento da economia. De portas fechadas e com as vendas restritas ao comércio pela internet ou tele-entrega, a entrada de dinheiro no caixa não acontece mais como antes.
"Tem a folha de pagamento, tem impostos, tem todos aqueles encargos que se nós não tivermos um pouco, lá na frente vai virar um caos serio serio pra todas as pessoas, empregados, funcionários e empresas, né", afirma o empresário Ivan Tiemann.
Para os economistas da UFRGS que assinaram um manifesto com medidas para evitar quebra de empresas, demissões e aumento da miséria, o governo brasileiro deve fazer o que o mundo vem fazendo.
Segundo eles, é necessário atuar em várias frentes para injetar dinheiro nos setores mais afetados, socorrendo as pessoas e distribuindo recursos às famílias.
Uma das sugestões é a criação de um programa de renda básica universal no valor de um salário mínimo mensal com a meta de atingir metade da população. Na quinta (26), governo e Congresso fecharam acordo para auxiliar essas pessoas com um valor de R$ 600.
Outras medidas sugeridas são criar linhas de crédito com baixo custo condicionando as empresas a manterem os empregados e conceder isenções fiscais e ampliar prazos de pagamento de tributos para pequenos negócios diretamente atingidos pela pandemia.

'Orçamento de guerra''
Porém, para o economista Aod Cunha, que já foi secretário da Fazenda do estado e hoje atua como conselheiro de empresas, o governo precisa agir mais rápido. Porque as pessoas já estão sem dinheiro e com dificuldades. E montar um "orçamento de guerra" para socorrer a economia.
"Se nós tivermos um caos no sistema hospitalar, isso vai gerar receio, medo nas pessoas. Vão ter receio de trabalhar, de de sair para rua. Então eu acho que é uma falsa discussão de que se voltarmos todos para rua agora, sem um plano de como fazer isso, a vida econômica vai estar organizada. Não vai. Porque se o caos no sistema de saúde se instalar, a vida econômica vai se desorganizar também", afirma.

Medidas no RS
O governo do estado concedeu carência de até dois meses no pagamento de dívidas contraídas no Banrisul para micro pequenos e médios empreendedores. Isso além de aumentar em 10% o limite de endividamento no banco.
Também foram determinadas a suspensão do encaminhamento de dívidas a protesto e inclusão no Serasa, o cancelamento de intimidações para comparecimento presenciais, prorrogação do prazo para apresentar garantias de parcelamento de dívidas com o estado.