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Empresário doa quase mil peças históricas da Guerra dos Farrapos para museu de Piratini

Empresário doa quase mil peças históricas da Guerra dos Farrapos para museu de Piratini

Acervo foi trazido do Rio Grande do Norte, onde doador mora, com auxílio da FAB e do Exército. Fazem parte itens como armamentos, brasões, moedas e livros da época da guerra histórica.
Uma doação de 988 peças históricas da guerra dos Farrapos vai enriquecer o acervo do Museu Histórico Farroupilha, em Piratini, na Região Sul do estado. Garimpados ao longo de 20 anos pelo empresário gaúcho radicado no Rio Grande do Norte Volnir Júnior dos Santos, os objetos chegaram ao Rio Grande do Sul no final do ano passado e estão sendo catalogados pela Diretoria de Memória e Patrimônio da Secretaria de Cultura.
A ideia de Volnir era construir seu próprio museu, em Gramado. Ele afirma ter mudado de ideia após um sonho, e optado por doar ao museu da cidade emblemática. "São pedaços da República Rio-Grandense, com valor museológico, arquivístico e bibliográfico incalculável, importante para a pesquisa sobre a República Rio-Grandense em qualquer tempo", afirma.
Todas as peças estavam armazenadas em sua casa, em Natal (RN). Após oferecer o acervo ao governo do estado, ele registrou a doação em cartório. A secretária de Cultura, Beatriz Araújo, viajou até o estado nordestino em outubro, para conhecer as peças.
Na residência, encontrou os armamentos, moedas, brasões e muitos livros acondicionados em 29 volumes, pesando mais de 400 quilos.
Conforme o governo do estado, todas as peças são legítimas.
"Após a catalogação, as peças serão devidamente acondicionadas, conforme as diretrizes dos conservadores e, novamente, encaixotadas para, posteriormente, serem encaminhadas ao Museu Farroupilha”, explica Eduardo Hahn, assessor especial de Memória e Patrimônio da secretaria.
Moeda comprada nos Estados Unidos
Volnir afirma ter garimpado peças históricas não só no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, encontrou uma pessoa vendendo uma moeda com o carimbo da República do Piratini, fundada pelos rebeldes farrapos durante o período da guerra.
"Fiz a compra pelo eBay. As imagens originais da Anita e do Garibaldi em 1849, que inclusive tatuei no meu braço, achei na Itália", afirma.
Ele não tem o cálculo de quanto gastou para adquirir a coleção.
"Caixas de livros, eu simplesmente fechava a caixa e pedia para mandar para casa. Algumas coisas raríssimas paguei muito barato, outras, preços relativamente caro. Teve ponta de lança farrapa que comprei por R$ 150 e outras, por R$ 1,2 mil", relata.
"Tenho relação espiritual muito forte com os farrapos. Hoje, eu não venderia por preço nenhum um único parafuso enferrujado de uma garrucha", afirma.
As peças foram trazidas ao estado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e por meio do Exército.