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DÉCADA DE 2010 A 2019 FOI A MAIS QUENTE DA HISTÓRIA, MOSTRA RELATÓRIO

DÉCADA DE 2010 A 2019 FOI A MAIS QUENTE DA HISTÓRIA, MOSTRA RELATÓRIO

O ano passado também esteve entre os 3 mais quentes já registrados. No documento 'State of the Climate 2019', cientistas mostram, com vários indicadores, os danos causados pelo aquecimento do planeta.

Um relatório elaborado por cientistas do mundo inteiro e publicado na quarta-feira (12) mostra que a década de 2010 a 2019 foi a mais quente da história do planeta, e que o ano passado esteve os três mais quentes já registrados desde o século 19.

Os dados referentes aos últimos dez anos seguem a tendência histórica: desde a década de 80, cada período de dez anos que veio depois foi mais quente que a década anterior. O período entre 2010 e 2019 foi 0,2ºC mais quente que a década entre 2000 e 2009.

Além disso, segundo os cientistas, apenas o ano de 2016 – e, para alguns dados, o ano de 2015 – foram mais quentes do que 2019. Depois de 2013, todos os anos subsequentes foram mais quentes que os anteriores, desde meados do século 19.

Publicado anualmente, esta é a trigésima edição do relatório "State of the Climate", referente ao ano passado, que teve a contribuição de 528 autores e editores de 61 países. A série histórica mostra, ano a ano, as consequências das mudanças climáticas terrestres.

No Brasil

Os cientistas pontuaram que, no ano passado, as emissões causadas por incêndios em regiões florestais de vários países, inclusive no Brasil, compensaram a tendência de queda global de longo prazo nas emissões das regiões de savana.

Em 2019, tanto a Nasa (a agência espacial americana) como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) classificaram o período de queimadas na Amazônia como o pior desde 2010. Também foi registrado aumento nos focos de queimadas no Cerrado, e altas inéditas no desmatamento amazônico.

Uma onda de calor no sudeste brasileiro também contribuiu para temperaturas extremas na América do Sul, que registrou seu segundo ano mais quente na história. Em Santiago, no Chile, houve um novo recorde de temperatura máxima: 38,3°C em 27 de janeiro.

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Temperaturas e derretimento recordes

O documento também cita temperaturas recordes alcançadas em alguns países, assim como altas inéditas no nível de derretimento de geleiras, que contribuem para o aumento do nível do mar.

Veja alguns destaques:

• Julho de 2019 foi o mês mais quente da história terrestre.

• A Austrália teve um novo recorde nacional de temperatura média máxima registrada em um dia: 41,9°C, no dia 18 de dezembro – quebrando o recorde anterior, estabelecido em 2013, que era de 40,3ºC.

• Pela primeira vez, as temperaturas diárias ultrapassaram os 40ºC na Bélgica e na Holanda.

• A Índia teve as chuvas de monções mais pesadas desde 1995.

• O furacão Idai foi o mais mortal da bacia do Sul do Oceano Índico, com mais de 1,2 mil mortes em Moçambique, Zimbábue, Malaui e Madagascar. A tempestade também foi a que causou mais prejuízos financeiros na região, com danos de pelo menos US$ 2,2 bilhões (quase R$ 12 bilhões).

• A extensão e a magnitude da perda de gelo na Groenlândia chegou perto dos níveis de 2012, ano que marcou o recorde na perda de gelo.

• No ano passado, o nível médio global do mar atingiu um novo recorde pelo 8º ano consecutivo, ficando a 87,6mm acima da média de 1993, quando as medições de satélite começaram. O aumento médio desde 2018 é de 6,1mm por ano.

• Também houve recorde no conteúdo de calor do oceano medido a 700m de profundidade, e a temperatura média global da superfície do mar foi a segunda mais alta já registrada, superada apenas por 2016, ano recorde por causa do El Niño.