loader
As consequências das mudanças no Plano Diretor de Imbé, propostas pela prefeitura e que serão votadas nas próximas semanas, foram o principal assunto da assembléia geral da Associação Comunitária de Imbé -

As consequências das mudanças no Plano Diretor de Imbé, propostas pela prefeitura e que serão votadas nas próximas semanas, foram o principal assunto da assembléia geral da Associação Comunitária de Imbé -

Braço Morto, realizada no sábado (8) na Câmara de Vereadores do município.
O vice-presidente, engenheiro e professor aposentado da Faculdade de Engenharia da Ufrgs Athos Stern, fez um relato das iniciativas da associação para barrar o projeto. Segundo ele, não tem sentido aprovar a liberação de edifícios de até 15 andares na avenida Nilza Godoy, que margeia o rio Tramandaí, e nas principais avenidas da cidade, sem um estudo de impacto Ambiental, sem uma rede coletora e estação de tratamento de esgoto cloacal e sem uma avaliação do aumento da população na vida das pessoas - Estudo de Impacto de Vizinhança. 
Athos alertou para as complicações no trânsito nas ruas estreitas, as dificuldades de atravessar a ponte, que já causa congestionamentos durante o verão, e até para a privacidade dos moradores do entorno dos edifícios. Lembrou também que o edifício de 15 andares, já quase concluído, está dentro da área de preservação determinada pela legislação federal, que protege as margens os rios. "O estatuto das Cidades, a lei federal que disciplina o crescimento urbano, está sendo completamente desrespeitado".  A associação está apelando à Procuradoria da República e à Promotoria de Justiça do RS para que impeça a prefeitura de continuar na sua tentativa de alterar o Plano Diretor visando apenas os interesses de construtoras e empresas do setor imobiliário, sem levar em consideraç ã o a qualidade de vida de moradores e veranistas.
O professor Ignacio Moreno, do Ceclimar (Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos) da Ufrgs, apresentou os resultados de pesquisas científicas sobre o impacto das mudanças propostas no meio ambiente do município. "A poluição resultante do aumento populacional afetará o equilíbrio ecológico da região. A pesca será afetada pela redução dos cardumes, os botos, peixes-símbolos do Imbé, terão sua sobrevivência ameaçada", disse.
Com base em pesquisas do Sebrae (Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas),  Moreno rebateu os argumentos daqueles que encaram a construção de edifícios como um fator de aumento do emprego e de renda da população: "Em Tramandaí, a construção civil representa apenas 5% da mão de obra do município. E o nível de emprego e renda daquela cidade e de Imbé é praticamente o mesmo".
Convidada pela associação, Daniela Remião, do movimento Imbé Sem Prédios,  informou que o abaixo-assinado digital contra as mudanças no Plano Diretor já tem mais de 1.400 assinaturas. "A barreira de edifícios ao longo do rio Tramandaí vai deformar a geografia da cidade.  As mudanças foram feitas sem a existência de audiências públicas para consulta à população e o espigão junto ao rio Tramandaí  desrespeita as leis de proteção ao meio-ambiente", afirmou Daniela.
Na assembléia, o presidente Alfredo Lindemann solicitou afastamento por motivos pessoais e Athos Stern assumiu o cargo. Em seu discurso de posse, Stern fez um pequeno histórico dos 35 anos de atividades da associação, fundada em fevereiro de 1985. É a mais antiga associação comunitária do Litoral Norte, e a única a ter representante no Comitê d Bacia do Rio Tramandaí.
Os associados aprovaram  um agradecimento à Promotoria de Justiça de Tramandaí por sua luta em defesa da comunidade de Imbé. Em 2016, a promotoria impetrou uma ação civil pública contra a construtora HMG e a prefeitura de Imbé,  pedindo a paralisação das obras do edifício construído junto ao rio Tramandaí  e a sua demolição,  por desrespeito ao Estatuto das Cidades e a legislação ambiental. A ação ainda não foi julgada pela 1ª Vara Cível de Tramandaí. 
Texto e fotos do colaborador: Clovis Heberle.