Sexta, 15 Abril 2016 15:45

O impeachment e a farra de cargos e dinheiro público

 

Causam profundo incômodo as notícias de que, para fazer frente ao processo de impeachment da presidente, apesar da crise e dos cofres vazios, o governo está abrindo as burras do erário para os deputados que se dispuserem a votar contra o afastamento. Não deveria se negociar cargos no próprio governo através da nomeação dos fisiológicos, mas esse ainda é o mal menor. A promessa de liberação antecipada de emendas parlamentares ou a decretação de obras e serviços para os quais não há dinheiro no cofre, se realmente estiverem acontecendo, é ação criminosa. Tão criminosa quanto pagar propina por diferentes artifícios ou mediante dinheiro vivo, em troca do voto.

O Partido dos Trabalhadores, cujo discurso na oposição era de absoluta moralidade, parece ter esquecido tudo o que pregou para chegar ao poder e hoje recorre a expedientes inacreditáveis para se manter. Não deveria, enquanto era tempo, ter cometido as irregularidades que dão causa ao processo de destituição. Agora, mesmo que de alguma forma se safe, será difícil para Dilma governar, pois não tem base parlamentar e sua popularidade é baixíssima.

Infelizmente, desde a Constituinte, em 87 e 88, está claro nas relações políticas brasileiras o regime do “é dando que se recebe”. Tornou-se hábito os vencedores das eleições comprarem o apoio dos perdedores e, com isso, a representação popular tornar-se ineficiente. A gama de escândalos que tem chegado ao conhecimento da população é a prova de que vivemos uma democracia sui-generis, onde o custeio das atividades políticas não resiste a uma análise mais séria. Recursos públicos têm sido desviados para comprar apoio político dos ditos democratas, ao mesmo tempo em que o povo padece por falta de serviços básicos, que o Estado tem o dever de prestar mas não executa ou o faz mal.

Passado esse difícil momento, o Tribunal de Contas da União e outros órgãos fiscalizadores têm o dever de analisar tudo o que se noticia estar fazendo o governo, com recursos públicos, para evitar o impeachment. Aquilo que caracterizar barganha, precisa ser prontamente abortado, em nome da moralidade administrativa e do interesse público. Os recursos do Tesouro devem ter a exclusiva finalidade de servir ao público. Quando tiverem outra destinação, é crime...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 

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