Sexta, 01 Abril 2016 11:16

Editorial - 1040 • O infame mercado

 

É desoladora a imagem que sobra em paralelo à crise política. O PMDB deixa o governo e orienta seus filiados a deixarem os cargos que ocupam nos diferentes escalões – aproximadamente 500 – e o governo, de outro lado, joga-se de corpo e alma no oferecimento  de cargos e liberação de emendas parlamentares em troca de votos que possam livrar a presidente Dilma do impeachment que a Câmara dos Deputados prevê votar em 20 dias. Está instalado explicitamente o infame balcão de negócios sustentado pelo dinheiro dos impostos pagos pela população que, como todos sabemos, está fazendo falta na educação, saúde, segurança pública e numa série de serviços que o governo tem o dever de prestar ao povo mas o faz de forma insuficiente. Pior que, além do governo, noticia que o vice-presidente Michel Temer, que deverá assumir o governo se o impeachment for aprovado, também oferece cargos em troca de apoio político e congressual.

A opção daquele que ganha, de lotear o governo com o que perde as eleições, adotada na redemocratização dos anos 80, é um grande mal à democracia de que tanto a classe política brasileira se orgulha. A gama de negócios escusos que tem vindo à tona através das operações anticorrupção é prova disso. Os governantes chegam aos seus postos engessados e dependentes de parlamentares e partidos políticos que se esquecem da pregação feita para a conquista do voto e partem para o toma-lá-dá-cá, num vergonhoso loteamento do bem público. Em vez de administrar e pugnar pelo avanço da sociedade e da coisa pública, colocam a máquina a serviço dos próprios interesses, corrompendo suas finalidades e, não raro, metendo a mão no cofre direta ou indiretamente.

Infelizmente, temos essa realidade instalada. Oxalá o fisiologismo e o interesse de grupos não levem o país e o povo a mais uma derrota. Passada a atual tormenta, independente de quem dela sobreviva, é preciso que os brasileiros trabalhem por uma nova ordem política, onde os eleitos sejam efetivamente levados a cumprir as obrigações inerentes aos seus postos e não tenham como fugir daquilo que prometem em campanha quando da conquista dos votos. Não podemos continuar com esse presidencialismo irresponsável e contaminado por vertentes parlamentaristas, onde os governos não conseguem ser uma coisa nem outra e ninguém quer assumir a responsabilidade pelos seus atos.

O Brasil precisa definir claramente que tipo de regime de governo possui e exigir que os governantes, parlamentares, ministros, diretores e até os servidores cumpram à risca o estabelecido para suas funções e tenham a certeza de que, em não o fazendo, serão submetidos aos rigores da lei. Talvez, para isso, seja necessária a reforma constitucional ou até uma nova constituinte. Mas, se for para consertar o país, tudo bem...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 

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