Segunda, 28 Março 2016 11:22

Editorial - 1039 • A emoção, as provas e a decisão

 

A crise política atinge ao perigoso nível em que seus atores trocam a razão pela emoção. A presidente Dilma Rousseff e o PT, seu partido e aliados, em vez de contestar com argumentos as imputações que lhes são feitas, recorrem à vitimização ideológica e eleitoreira. Procuram sensibilizar pelo discurso, quando o mais racional seria apresentar recursos convincentes em foro adequado. O governo naufraga na impopularidade e a sociedade torna-se cada dia mais excitada, tanto pelo fim quanto pela continuidade do mando petista. Apesar de todos os cuidados para evitar o confronto direto entre os divergentes, já surgem os primeiros embates e até o primeiro cadáver (o advogado e militante do MBL (Movimento Brasil Livre) assassinado em Guarulhos). Movimentos sociais e outros agregados do governo ameaçam transformar o país “num inferno” se Dilma for afastada ou Lula preso.

É preciso evitar a emoção e optar pela razão. O Judiciário, único poder que ainda funciona integralmente neste país, apesar do interesse de grupos de atraí-lo também para o olho do furacão, vem, rigorosamente, fazendo as apurações, definindo o que é e o que não é crime e, através de suas diferentes instâncias, modulando as ações e contendo os possíveis excessos tanto de um lado quanto de outro. As apurações da Operação Lava Jato têm revelado esquemas inimagináveis e supostamente causadores da crise econômica e política. Esses fatos, além das providências de primeira instância, também passam pelos tribunais regionais e superiores quando apontam para detentores de foro privilegiado. Nessa tramitação, os acusadores e os envolvidos terão, com certeza, a segurança jurídica para apresentar e defender suas razões. Tudo através de provas, não de simples sugestões. Dessa forma, o Brasil aperfeiçoará suas instituições e restará melhor após a crise. Afinal, provas são provas e devem ser perseguidas até o deslinde das questões, doa a quem doer, envolva a quem envolver.

Chegou a hora de todos os atores desse imenso teatro atentarem para suas responsabilidades com a Pátria. Usar o povo como massa de manobra ou bucha para o estopim da crise é impatriótico, até desumano. Como velho policial, sou daqueles que confiam nas provas bem apuradas. Afastar ou não a presidente é mero detalhe de todo esse processo. O importante é ter tudo claro, buscar a punição de quem praticou ilícitos e devolver o pais à normalidade para que possa voltar a se desenvolver e proporcionar o bem-estar da população. O vasto conjunto de informações já disponíveis, com certeza, é mais do que suficiente para cada qual na sua área de atribuição – deputados, senadores e magistrados – decidam o que é mais justo para o Brasil e os brasileiros. Até o momento não temos razões concretas para pensar que poderão agir de forma diferente...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 

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