Quinta, 22 Janeiro 2015 18:34

Editorial - Eletricidade, obrigação de governo

O Operador Nacional do Sistema diz que o apagão de segunda-feira não foi um blackout, mas apenas o corte preventivo do abastecimento no momento em que o consumo na região Sul-Sudeste atingiu o pico de 51.596 MW. Já, o ministro das Minas e Energia, que garante não estar faltando eletricidade, disse que a anomalia se deu por um problema técnico na linha de Furnas que interliga os sistemas Norte e Sul. Mas anuncia a reentrada em operação de térmicas da Petrobras que estão paradas para manutenção, aumenta a potência de Itaipu para a região Sul-Sudeste e diz da preocupação do governo com os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Sua preocupação está estampada na afirmação de que “Deus é brasileiro” e não deixará acontecer o pior.

Afora a divergência de informações e a crença (ou desespero) do ministro, é preciso lembrar que o abastecimento elétrico do país é uma crise há muito tempo anunciada, cuja hora parece estar chegando. Há pelo menos duas décadas, técnicos do setor dizem que o Brasil só não entrou em prolongados períodos de racionamento porque a economia diminuiu o ritmo de crescimento. Apesar da privatização do setor e da construção das termoelétricas que – mesmo produzindo energia mais cara que a das hidrelétricas – garante o abastecimento nos períodos de seca, como o atual, o setor trabalha no limite e não acompanhou a evolução do perfil de consumo.

As dificuldades de licenciamento ambientais e problemas com população de áreas a serem afetadas retardaram a construção e operação de novas hidrelétricas e termoelétricas. A política de conservação de energia não tem sido a mais eficiente, mesmo com os esforços da troca das lâmpadas e de equipamentos por outros menos consumidores. A popularização do ar-condicionado antecipou o pico de consumo – antes localizado ao anoitecer, quando todos ligam o chuveiro elétrico – para o meio da tarde. De quebra, ainda existem os problemas pontuais das distribuidoras que vêm gerando muitas reclamações de consumidores mal atendidos.

A eletricidade é, cada dia mais, um insumo indispensável. Todos os equipamentos do comércio, industria e prestadores de serviços, e os utensílios do lar, são elétricos ou pelo menos dependem da eletricidade para sua partida. Os computadores e periféricos, por exemplo, carecem de eletricidade. O governo, como detentor das concessões para serviços de infraestrutura, precisa fazer o máximo para garantir o abastecimento e equilibrar produção e consumo. É sua tarefa executar os serviços de sua competência e, principalmente, fiscalizar e exigir regularidade de seus concessionários. Até o racionamento seria válido como forma de evitar o colapso...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 

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